Prevenção - Elio Barreto Cirurgião Cancerologista
Cólon
Introdução
O cólon ou intestino grosso é parte do sistema digestivo do corpo. O sistema digestivo processa nutrientes (vitaminas, minerais, carboidratos, gorduras, proteínas e água) dos alimentos e ajuda a eliminar os resíduos para fora do corpo. O sistema digestivo é constituído pelo esôfago, estômago e intestinos delgado e grosso, fígado, vesícula biliar e pâncreas.
O câncer de cólon é o terceiro mais frequente entre homens e mulheres nos Estados Unidos da América. Em 2009 a estimativa foi de de 106.100 casos novos de câncer de cólon e 40.870 casos novos de câncer de reto. O número de mortes estimado para 2009 nos estados unidos foi de 49.920. Vale ressaltar que quando o tumor é diagnosticado em fase inicial as chances de cura chegam a 90%.
Acredita-se que a maioria desses tumores inicia-se em um pólipo, um pequeno crescimento anormal da mucosa do cólon. No entanto, a maioria dos pólipos do cólon não se transformará em câncer. As pessoas que têm uma história familiar de câncer colorretal podem ter um risco ligeiramente maior de desenvolver a doença do que outros. Fatores de risco como fumar, dieta rica em gordura animal (e pobre em fibras), história de ter muitos pólipos benignos do cólon, aumentam o risco de uma pessoa para desenvolver o câncer colorretal. Além disso, alguns desses fatores podem também aumentar o risco de recidiva após o tratamento.
Diagnóstico
A presença de um pólipo ou um tumor no cólon pode ser detectado durante um exame de colonoscopia ou retossigmoidoscopia. O exame pode ser indicado baseado em sintomas apresentados pelo paciente ou em exame de rotina para rastreamento de câncer colorretal. A biópsia realizada no momento do exame endoscópico é utilizada para confirmar o diagnóstico de câncer ou lesão pré-maligna.
Se outros membros da sua família tiveram câncer de cólon ou reto, informe o seu médico. Dependendo do grau de parentesco e do número de familiares afetados pela doença, seu médico poderá recomendar testes genéticos para determinar se você pode ser portador de alguma mutação genética, que o torna mais suscetível ao câncer colorretal e se o aconselhamento genético seria útil para outros membros de sua família.
Além de confirmar o diagnóstico de câncer, a amostra de biópsia também fornece ao médico com informações sobre:
Se o tumor é não-invasivo (localizada a camada de tecido onde começou) ou invasivo (se espalhou mais profundo da parede do cólon).
A classificação das células tumorais, isto é, o quanto as células cancerosas se assemelham as células saudáveis ao microscópio. Geralmente, o grau 1 as células do câncer do cólon são mais parecidas com as células saudáveis e crescem lentamente enquanto grau 4 as células apresentam anormalidades mais pronunciadas e podem crescer mais rapidamente.
Como prevenir
O principal objetivo dos exames de rastreamento do câncer colorretal é prevenir o aparecimento do câncer através da retirada de pólipos pré-malignos e reduzir a mortalidade de tumores já instalados através do diagnóstico precoce. Para realizar o rastreamento do câncer colorretal de forma mais adequada, devemos classificar o pacientes em grupos de risco que se segue:
- Risco médio
- Paciente com 50 anos ou mais
- Sem história de pólipos intestinais, câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn ou colite ulcerativa)
- Sem história familiar de câncer colorretal.
- Prevenção recomendada
- Iniciar aos 50 anos
- Colonoscopia a cada dez anos ou
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes anual associado ou não a retossigmoidoscopia a cada cinco anos ou Retossigmoidoscopia a cada cinco anos
- Risco alto
- Presença de pólipos adenomatosos sésseis em exame de colonoscopia prévio
- História pessoal ou familiar de câncer colorretal
- História pessoal de doença inflamatória intestinal (colite ulcerativa ou doença de Crohn)
- Prevenção recomendada
- Repetir colonoscopia a cada 3-5 anos, dependendo dos achados colonoscópicos anteriores
- Em pacientes que o pólipo não foi completamente ressecado, repetir a colonoscopia em 2-6 meses, dependendo dos achados iniciais
- Pacientes que foram submetidos à cirurgia curativa de câncer colorretal devem fazer colonoscopia 1 ano após a cirurgia ou após 3-6 meses quando a colonoscopia pré-operatória tiver sido incompleta;
- Pacientes com história pessoal de doença inflamatória intestinal devem iniciar o rastreamento com colonoscopia após 8-10 anos do início dos sintomas da doença inflamatória e devem fazer o exame a intervalos de 1-2 anos
- Pacientes com história familiar de câncer colorretal devem fazer o rastreamento como se segue
- Um Familiar de 1º grau com menos de 60 anos: Iniciar o rastreamento aos 40 anos com colonoscopia e repetir a cada 3-5 anos
- Um Familiar de 1º grau com mais de 60 anos: Iniciar o rastreamento aos 50 anos com colonoscopia e repetir a cada 5 anos
- Dois familiares de 1º grau de qualquer idade: Iniciar o rastreamento aos 40 anos com colonoscopia e repetir a cada 3-5 anos
- Dois familiares de 2º grau de qualquer idade: Iniciar o rastreamento aos 50 anos com colonoscopia e repetir a cada 5 anos
- Um familiar de 2º grau ou 3º grau com câncer colorretal ou familiar de 1º grau com adenoma simples: Rastrear como médio risco, de preferência com colonoscopia.
- Síndromes de alto risco
-
- Polipose adenomatosa familiar
- Câncer colorretal hereditário não polipóide
- Outras síndromes polipóides como: Peutz Jeghers, Polipose Juvenil, Polipose Hiperplásica
- Prevenção recomendada
-
- A recomendação deverá ser de acordo com a síndrome detectada. Em linhas gerais o exame colonoscópico deve ser realizado precocemente, antes do aparecimento dos sintomas no caso mais jovem afetado na família. Em algumas situações está indicado o tratamento cirúrgico profilático.
Cirurgião Cancerologista formado no Hospital do Câncer de São Paulo - A.C. Camargo;